Interocepção no Autismo

               O comprometimento da percepção sobre o próprio corpo e as emoções 



A interocepção é o oitavo sentido que permite ao cérebro perceber e interpretar os sinais internos do organismo, como batimentos cardíacos, respiração, fome, sede, temperatura e tensão muscular. E trabalhando com os outros sete sentidos (visão, audição, olfato, paladar, tato, vestibular e proprioceptivo), é vital para a sobrevivência. 

Situações corriqueiras como, por exemplo, perceber a baixa temperatura e vestir uma blusa ou até mesmo sentir a hora certa para ir ao banheiro são alguns dos exemplos consideráveis ​​dos impactos da interocepção na vida cotidiana. No contexto da neurodivergência, estudos científicos informam o seu funcionamento de forma distinta. 

Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, 5ª Revisão (DSM-5-TR), publicado pela American Psychiatric Association Publishing, há diferenças no processamento interoceptivo em indivíduos com transtorno do espectro autista (TEA). Inclusive, também podendo ocorrer em outros transtornos mentais, como o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). 

“Para se ter uma ideia na prática, tenho analisado casos como, por exemplo, uma moça autista que fica oito horas sem comer e não sente fome; um rapaz autista que tem a vontade inesperada de defecar sempre ao sair de casa; e o difícil processo de desfralde de algumas crianças já com a idade avançada”, relata a psicopedagoga e terapeuta ABA, Ariella Dias. 

Isto demonstra o quanto é importante compreender essa particularidade no autismo. Segundo ela, como é difícil para as pessoas atípicas interpretarem o próprio corpo, mapear a rotina ajuda de forma funcional e estratégica o autocuidado. "O cronograma para refeições e atividades favorece a consciência corporal e ajuda na manutenção da saúde física e emocional", conclui. 

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